Denial of Light


Inicialmente concebido como uma banda, o DENIAL OF LIGHT acabou se transformando em uma One Man Band. Com uma sonoridade densa, obscura, melancólica e depressiva, Arthur Ferreira, o mentor do projeto, conversou rapidamente com o VIOLENT NOISE e nos deu alguns detalhes como o início de carreira, a repercussão do primeiro EP, a cena Doom Metal no Brasil e o lançamento do primeiro Full.

Confiram a entrevista e vamos apoiar o projeto e o Underground nacional. Maiores detalhes também podem ser obtidos através do Facebook oficial.  

Quando e como se deu a formação da banda?

Arthur Ferreira: O Denial foi formado no final de 2016. Eu sempre toquei e escrevi sozinho, nunca quis ter banda nem tocar com ninguém, gosto de ser "low-profile". Na época conheci alguns caras pelo centro de SP e num barzinho de esquina surgiu a ideia de ter uma formação para executar músicas que eu tinha e compor coisas novas. Assim surgiu a formação que executou os dois únicos shows que foram feitos ao vivo.

Como chegaram ao nome?

Arthur Ferreira: Eu entrei com a ideia do nome, pois sou contra religião e todo tipo de luz falsa na qual a humanidade se pendura para aliviar seus próprios fracassos e medos.  Atualmente eu prefiro me referir à banda apenas como DENIAL, pois não gosto da palavra Light presente no nome. Não mais. Prefiro que a luz esteja totalmente ausente.

Que lançamentos o DENIAL OF LIGHT fez até o momento?

Arthur Ferreira: Foi gravado apenas um EP chamado "Borderline" contendo duas músicas. O lançamento foi apenas digital por questões financeiras. É um bom EP, porém não capturou o som que eu planejava e, por conta disso, as duas músicas foram regravadas e serão lançadas definitivamente no Full-Length que estou preparando, cujo título é "The Terminal Hour We All Fade".

Quais temáticas são abordadas nas letras?

Arthur Ferreira: As letras giram em torno de problemas mentais, desilusões, traumas, descrença, isolamento, solidão, raiva e agressividade, ataques contra entidades religiosas e o principal: a trajetória de uma pessoa nessa vida até o momento que ela sucumbe em silêncio em um quarto de hospital.

Quais as principais fontes de inspiração no que diz respeito à sonoridade e elaboração das letras?

Arthur Ferreira: As letras vêm de coisas que passei na vida, de como enxergo algumas coisas, de situações que presenciei dentro da minha família. Meu tio faleceu ano passado após ser diagnosticado com um câncer terminal. Ele era muito importante para nós e por conta disso, durante o tempo em que ficou hospitalizado, eu retomei o Denial e resolvi concluir as músicas para o Full e escrevi as letras girando em torno dessa situação. A contracapa do CD possui uma foto que é o corredor do hospital onde meu tio ficou internado e os números perto do coração são do quarto que ele esteve. A capa mostra o rosto de uma pessoa desfalecendo, caindo no esquecimento, se tornando inexistente, é depressiva pra caralho, é o que eu gosto nesse som do Denial. Não sou uma pessoa depressiva, tenho minha vida, amo minha família e a pessoa que divido minha vida, mas esse som é minha válvula de escape, não importa o quão feliz eu esteja, sempre vou ter algumas sombras para transcrever nesse estilo de som que amo desde pequeno. Cresci ouvindo Death/Doom, cena britânica. Paradise Lost e Gregor Mackintosh são minhas maiores influências como guitarrista/compositor e, atualmente, as novas bandas do Lee Dorrian, With the Dead e Septic Tank, também têm exercido uma grande influência para mim. Ah é, tem o Vallenfyre, mas nem preciso comentar. Hehehe, ouço muita coisa. Estou numa fase The Cure agora, sempre gostei muito e consigo ir desde The Cure, The Cult, Depeche Mode até Bolt Thrower, Asphyx , Celtic Frost e vice-versa. Não sou preso em estilos.




O Doom Metal é um estilo bastante específico e nem sempre agrada aos fãs do Metal de forma geral. Como você enxerga este gênero aqui no Brasil? O número de bandas tem aumentado?

Arthur Ferreira: A cena sempre vai ser pequena, o fã de Doom não é o fã convencional do Metal, aquele que só quer ouvir barulho, bater cabeça e encher a cara. Quem curte Doom é ligado na estética do som, no lado poético e depressivo da música, as letras são pontos importantes para nós conseguirmos enxergar a música como um todo, não uma curtição passageira. Não faço Doom por curtição, é minha terapia e algumas bandas são parte da história da minha vida. Posso ouvir músicas e ver minha vida passando pela mente, quadro a quadro. Um fã desmiolado de Manowar nunca vai ter esse tato.

Quais os planos futuros?

Arthur Ferreira: Estou terminando de gravar o Full e logo vou agendar estúdio para gravar voz e depois lançar o Play. O Denial hoje é meu projeto solo, irei finalizar o CD sozinho e contarei com algumas participações de alguns amigos da cena que será uma surpresa legal pro pessoal.

Estamos chegando ao final de mais uma entrevista e, como sempre fazemos, gostaríamos que o DENIAL OF LIGHT deixasse aqui um recado para seus seguidores e fãs.

Arthur Ferreira: Aguardem o lançamento do Full. Espero que vocês gostem. Denial não vai subir em palcos, mas espero que vocês tenham o play, é mórbido e agressivo. É uma sonoridade que não vejo sendo feita por aqui.

Fotos: Arquivo da banda
Arte da Capa: Brian D’Agosta



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