Kadabra


Power trio oriundo de Vinhedo/SP, o KADABRA executa um Heavy/Thrash Metal de altíssima qualidade. E mesmo com uma carreira considerada bem recente, estes guerreiros já realizaram diversos feitos e gravaram até mesmo um Full-length. O VIOLENT NOISE tem a honra de receber Paulo Bertoni, o guitarrista/vocal, para uma conversa rápida, mas cheia de revelações sobre a trajetória do grupo, sobre os planos futuros e também sobre os problemas no Metal nacional.

Apreciem! 

Como se deu a origem da banda?

Paulo: A gente já tocava em outras bandas da região havia bastante tempo. Eu também já produzia alguns eventos aqui em nossa cidade e então, por esse movimento, já nos conhecíamos. Além disso, Vinhedo é muito pequena, então não seria muito difícil de nos localizarmos. Foi em 2016 que acabei por contatar os caras e iniciamos os trabalhos. Ficamos cerca de seis meses preparando o repertório, gravamos e estamos por aí desde então.

De onde surgiu o nome KADABRA?

Paulo: Tinha que ser um nome forte, linguagem universal, curto. Tínhamos uma lista de sugestões e ganhou esse.

Quais as principais influências do grupo?

Paulo: Acho que há um consenso entre nós três no que se trata do Thrash Metal da Bay Area e do Heavy Metal Tradicional. Essa foi nossa escola, porém, depois disso, o Metal Nacional apareceu com muita força também.

Como está a formação hoje?

Paulo: Somos três desde o início, caso pensado. Não tivemos nenhuma mudança de formação até agora, então: Marcos Frassão na Bateria, Danilo Souza no Baixo/Vocal e eu, Paulo Bertoni, na guitarra e vocais.

Vocês lançaram o álbum "Devastation's Songs".  Como se deu o processo de composição e lançamento deste álbum e qual a repercussão para a carreira da banda?

Paulo: Desde o primeiro dia nós fomos uma banda de som próprio, primordialmente. Eu toco guitarra, então escrevo bastante riff, harmonias e solos. Além disso, eu canto, a partir disso já é natural ir colocando as melodias e letras. Para poder apresentar minhas ideias melhor e não gastar tempo de estúdio solfejando, eu aprendi a fazer programações de bateria em softwares e gravações caseiras simples. Ou seja, eu escrevi o esqueleto das músicas e registrei, daí todos tiravam e íamos para o ensaio. Lá a gente engordava o porco. Os sons tomaram outra dimensão com o incremento de levadas de um baterista casca grossa de verdade, como é o Frassão. Além dos vocais mais puxados para o gutural que o Danilo trouxe para a banda. Algumas estruturas foram modificadas também. No fim, com certeza, os sons são de nós três, o início foi comigo.

Depois de saber tocar as músicas de trás para frente, a gente conheceu o Márcio Pacheco, produtor de Jundiaí que nos apresentou um plano de trabalho bom e acessível em se tratando de uma banda de Metal autoral no Brasil. Gravamos rápido, mas não com pressa, e obtivemos o melhor resultado possível. Queríamos algo bem real mesmo, analógico, sem maquiar demais nossas limitações ou tentar demonstrar demais aquilo que a gente sabe. Jogamos para a música e sabíamos exatamente como queríamos soar. Usamos nossos próprios equipamentos e não colocamos bases de guitarra nos solos ou dobras em terças como é o usual. Lançamos logo depois de modo completamente independente. Vendendo nos shows e pelas redes sociais, fazendo trocas com outras bandas, correspondências ao modo antigo.

Houve críticas sim, contudo muito mais elogios. As pessoas da mídia especializada e a galera parecem ter gostado da nossa música. Isso, junto de muita determinação, culminou em muitos shows e muitas experiências em um curto período de tempo. Nos metemos em muitas frias, mas também conhecemos lugares que sempre víamos as bandas legais tocarem, virou realidade para a gente. Subimos em palcos que sempre quisemos conhecer. Tudo isso com a nossa própria música. Na hora que você vê aquela ideia que você tinha guardada há anos saindo com a banda no estúdio é demais. O que falar então de subir num palco e tocar sons como "The Cage", "Rite of Disorder", "Chosen Few", "Back Home" e etc? Somos outros músicos depois da gravação e das apresentações.




A arte da capa do "Devastation's Songs" chama bastante a atenção. Como chegaram à concepção desta arte?

Paulo: A arte da capa foi idealizada em partes por mim e totalmente desenvolvida pelo nosso quatro cordas, Danilo. Eu dava algumas dicas gerais do tipo: “quando eu ouço essas músicas me vem a cor verde na cabeça, uma coisa meio sombria...” e ele ia fazendo a mágica até chegar nesse ponto. A temática das letras ajudou muito nos direcionando, uma vez que fala da péssima relação que nós humanos estabelecemos uns com os outros, consigo mesmo e com a natureza.

Recentemente, através de uma postagem nas redes sociais, vocês apontaram um problema que ocorre hoje em relação ao Metal nacional que é a falta de público nos shows. A que vocês atribuem este fato?

Paulo: Obrigado pela oportunidade de falar sobre isso, é algo que precisa ser discutido urgentemente. Apesar de o Kadabra, ainda bem, estar tocando bastante e crescendo na medida do possível, acho que a cena em si, se encontra quase no pior estado que há. Nisso, não tem ninguém inocente, apesar de haver alguns mais culpados do que outros por assim dizer.

Veja, existem produtores que não conseguem planejar bem seus eventos, marcam em dias onde há muita concorrência, não escolhem as bandas com muito critério, começam tarde demais, muitos grupos a se apresentar no mesmo dia, atrasam muito, não disponibilizam o equipamento que foi combinado, levam problemas deles para as bandas e cortam tempo de show/consumação/cachê ou desconcentram o músico que está se preparando para se apresentar, querem lucrar em cima de tudo e não oferecem nem um lanche para as bandas, não trabalham em parceria com bons técnicos de som, desorganizados, divulgação horrível e assim por diante.

Existem os proprietários das casas que, frequentemente, formam suas panelinhas e não permitem que outros músicos também tenham oportunidade, isso desanima a galera, ser deixado de fora sem nenhum critério técnico. Cerveja cara, serviço de bar porcaria, estrutura pior ainda, banheiro IMUNDO, calor infernal, sujeira para todo lado, baratas, escorpião, já vimos de tudo em cima do palco. Tomadas com voltagens diferentes sem marcação, palcos de madeira que pulam conforme a banda toca, ar condicionado que não funciona, nenhum segurança, tomada pegando fogo, esquece o retorno (quem precisa se escutar, não é mesmo?). Se você vir uma banda tocando bem, bata palma, porque é foda, sair para tocar é tipo sair para fazer rally de fusca 77 de vez em quando. Se a gente canalizasse essa força de vontade para um esporte, não teria Bolt que segure.

Bom, chegou a vez das bandas. Posso afirmar que tem MUITA BANDA BOA. Tocam certinho, chegam na hora, respeitam os demais que estão trabalhando ali, passam som direitinho e estão àdisposição do evento. Agora, tem algumas também que nem Satã na causa. Já fomos tocar em lugares que o baterista dos caras de outro grupo não tinha nem a baqueta para tocar (não tinha nenhum prato, nenhuma caixa, nenhum tom, nenhum pedal, nenhuma ferragem, nenhum banco, sentou em cima de um cajon e a galera ainda empresta as coisas) e ainda me atrasam duas horas para chegar num domingo, rolê na cidade deles (na boa, se mata né?). Teve banda que a gente chamou para tocar junto, abriu as portas no mesmo evento, então tocou e foi embora, não ficou para prestigiar a gente. Isso mais de uma vez, bem mais. Banda que esculacha na organização, no dia do evento tem problemas e fica pedindo para você quebrar o galho, acham ruim se você frustra. Isso para contar o mínimo. Banda que tem atitude e que se posta com profissionalismo tem tudo com a gente, sempre que podemos ajudar, é com a gente mesmo, fazemos questão de ir ao show, comprar e trocar CDs, chamar para outros eventos e tocar junto, etc. Agora, a molecagem, não importa se é banda nova ou velha, a gente se afasta e não fica disponível para nada. Infelizmente, a cena está empesteada dessa galera sem noção, geralmente mais motivada pela maconha, cocaína e bebida do que pela própria música.

Por último, o mais importante, o público. Ser público implica em consumir o Metal nacional, se interessar por ele de alguma forma. Acredito que nisso todos nós deveríamos nos enquadrar, seja você um cara que só curte, seja você músico, produtor, mídia e etc. O Metal não é, nunca foi e não há indício nenhum de que será um dia mainstream. Eu nem boto fé nisso, nós não precisamos disso. O que nós precisamos é que a “nossa turma” seja mais ponta firme. De fato, se interesse pelo produto do underground. E isso implica colar nos shows SIM (não importa quem você seja, de vez em quando você pode ir sim, então vá lá e ajude a mudar essa porra, se isso tem algum valor real para você), implica em botar o disco daquela banda da sua cidade no carro para sacar a ideia deles, implica em de vez em quando adquirir merchandising de alguém que você gosta e se você não gosta de alguma coisa, vá lá e diga para as pessoas. O feedback do nosso público não é claro, pois na Internet todo mundo quer curtir a sua foto, mas no show ninguém pode ir. Se você é de banda, você tem ainda mais recursos para ajudar o negócio andar. O dia tem 24 horas, nós vivemos milhares de dias nas nossas vidas, o Metallica não vai acabar se você soltar o "Master of Puppets" um pouco. Antes de tudo, temos de ser Headbangers. Acho que não devemos esperar nada do público em geral e nem funcionar de acordo com as regras deles (só posta vídeo de 10 segundos, não fala palavrão, vai ao Caldeirão do Hulk, toca "Sweet Child O' Mine" e "Enter Sandman" para a galera achar que sabe de alguma coisa de Rock…), mas a “nossa galera” tem que colar junto, sejam os músicos, a mídia, produção e tal, todos nós temos de ser “público” um do outro. Todo mundo tem que escutar e não só esperar sua vez de falar. Acho que o trampo tem que ter isso como norte, uma evolução de dentro para fora. Nós não somos só “curtição”, como muitos já nos chamaram em décadas anteriores, nós somos movimento e precisamos militar por ele já!

Quais são os futuros planos da banda?

Paulo: Agora estamos a todo vapor com datas por todo esse primeiro semestre em diferentes locais do estado de São Paulo. Paralelamente estamos escrevendo, do mesmo jeito anterior, nosso segundo disco. Temos, na verdade, todas as músicas e estamos em fase de ensaio e aperfeiçoamento e logo elas farão parte do show também. Estamos orçando estúdios para gravação e nos preparando para esse próximo passo. Aliás, se você tem um estúdio, pode nos contatar, estamos abertos na pesquisa. Bandas, público e produtores também, batemos papo com todo mundo, só nos procurar pelas redes sociais.

Vamos finalizar nossa conversa e gostaríamos que vocês deixassem um recado não somente aos seguidores e fãs do KADABRA, mas aos apreciadores do Metal nacional.

Paulo: Headbanger antes de qualquer coisa.


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